terça-feira, dezembro 02, 2003

Volta sempre tudo para trás, o significado é um nome que se dá aos devaneios 'inner-psique' que fazem lembrar cadeiras de baloiço.

Estas palavras também não querem dizer nada, nem eu.

Tudo de tal modo irrelevante, no âmbito da formalização.

É que julgamos mesmo que por descobrir uma veia do sistema irrigador das ideias e do pseudo-intelectualismo, esta desagua.. e num jacto-geiser buscamos o fim da veia.. mas todo o sistema é circular, que óbvio não é? Mas então para quê?

"Pratiquem-me eutanásia" --> o paciente-Razão na clínica do Fútil.

"Isto faz-me lembrar Zen.."
"Mas Zen não é uma recordação.. Nem sequer é 'recordável'."
"O que é o Zen?"

Simplesmente, párem.
Desenquadram-se com tanto enquadramento.

Que importa o Zen, o Papa os Bispos e a dona Religião?
Não importa. Nada.

"Outra vez?" --> Expectante analista, com barba, senso comum e senhor doutor da performance masturbatória e criteriosa dos 'inner selfs' - Mas sem crítica. Elogio seria, se fosse útil sê-lo.

Fim de repetição. Fiquem atentos à próxima, porque novamente não terá interesse.

O perpétuo não morre por causa do Ímplicito que um alguém ninguém lá pôs.. Digo eu.

"Épá..." Se calhar o melhor é ficar calado.

quinta-feira, setembro 04, 2003

As almas são meros atrelados de um sólido disforme que rumina vontades e angústias sobre si mesmo, arrastando-se para superfícies untadas de bem-estar, temperatura e consciência. Uma pastosa forma de banhar as ânsias, afogar as razões. Pasta essa, derivada dos outros sólidos, aglomerados num pretenso acordo implícito de amizade, amor, e outros adjectivos fúteis, garantindo a sobrevivência de egos-hélices responsáveis pela efusão interna. Personalidades mais não são que impulsos amadurecidos com os anos, folhas do caule que foi a infância, utilizadas para dissimular. Conversas, trocas de rastilhos, expectativa no ricochete. Satisfações via disfarces, um baile de máscaras em que se aprecia discretamente os esplendores de outrém.

Capturados na dança, sem terra firme sob o pé, até não haver mais braços.

Falsos castelos na areia, desmanchados quando se muda de praia.

À formulação dependente de contexto condenada espécie humana.

domingo, agosto 31, 2003

..por aqui também não, para onde? paredes e mais paredes..

Estou-me a sentir encurralado. Numa liberdade sem graça. Posso fazer tudo ou não fazer nada, mas e o que se segue? Ali antes do próximo esquisso de distracção, cá estarei rodeado de paredes. E agora sinto-me agrilhoado, completamente imobilizado. Mas não estou sequer a reagir, parece que caguei sem reflectir, instintivamente, mas que força será esta?

Não importa. Nada importa.

Quero ficar aqui sentado e quieto sem vontade própria, quero não querer. Só me apetece chorar, mas nem sequer estou triste, menos ainda desesperado. Estou só assim. Sentado e quieto. Zero gramas de vida.

Mas que cena mais deprimente que eu escrevi, eu sei. Mas não importa..

terça-feira, julho 08, 2003

Uma ferida antiga reaberta, redescoberta.

A melancolia depressiva plena de rancor sem direcção jorra pela crosta fora e esbate-se no árido deserto de vida, e crispa as dunas que sopro e revolvo, e enrolo-me nelas debatendo-me por um oásis que não está dentro delas, mas sim para lá. Sim, vejo-lo, mas agora a areia tapa-me os olhos, concavidades da Estátua-Sem-Pedestal, e esfrego-os e esbracejo porque sim, porque o manda a Cruz-Perdição da sinuosa sina, malfadado fado (de luto fardado fardo), foda fodente. Renego a Bandeira-Identidade, cuspo, conspurco, um futuro inexistente nos futuros escritos do Futuro, a consciência disso, logo mais rancor. Mais azedume. Mais... mais... e mais, e mais, mais mais mais mais asmdimaimais miamsimam ifs amimaimsia msmia imgfanregv paj04au93r'%$68t%$T%%R&T=I RFOGO$EOTGKOSTRHBtr

Sim toma lixo, sangrento, sim, estúpido, sim, não quero saber, fodam-se.

Hoje sou básico e quero-lo ser. E todos seremos básicos. E tudo será melhor porque seremos básicos. E à face disto, onde estão os discursos, as pseudo-importâncias, o apego, a paixão? Morra o Dantas. O cabrão do Dantas, o filho da puta do Dantas, esse caralhete mal fodidete do Dantas, e é tudo. "Vêem? Falta de.." Engole os teus argumentos/frascos de conserva. Eu NÃO estou a discutir. Eu não quero discutir. Quero que morras, amarrado, submerso, preso a uma cadeira, com a cabeça de fora para respirares, e com uma piranha a devorar-te aos bocadinhos. Aos cubos, e não migalhas de ti. E a moral-escudo que pavoneias recursivamente também.

Embora não tenha saído do mesmo sítio, numa verdade que me é mais verdadeira faço explodir tudo em redor com um estrondo tal que todos os tímpanos de habitantes terrestres se transformam em torneiras.

Uma síntese de 'imaginação/nuvem de ácaros' pestilenta.

sábado, junho 28, 2003

Fiz aqui uma pequena rusga mata-segundos e arranjei dois ou três ex-tópicos blogáveis, source is #demencia:

'a mentalidade das coisas é uma que não perdoa ao garçon se este não tiver trocos na caixa do protocolo :D'
'dissabores do envelope-desejo'
'O crepuscular oscilando a que estamos sujeitos em toda a extensão do tempo do verbo'
'(@davanita) o sexo é o ópio do povo social'
'O solene culto do Nós. Sempre.'
Poderia começar este post dizendo (apenas?) que sim, poderia enveredar pelo Tudo da acepção insólita e deprimente que imagino em sonhos que qualificam a fina película do real, com uma certeza ingénua e rompante, detergente da mancha-trepadeira nociva para a razão, túmulo do perpétuo ruminar-ensejo da Visão, míopes ad-hoc, sim, e depois, ouvir luzes, ver barulhos, refutando-lo qual agente reflexo, sem plano esquemático, sem esquema rimático, nos versos do hoje e do ontem, degradando o Momento para uma eternidade finita, poderia até nem sequer o começar, não o escrever. Evitá-lo. Ir até ali, fazer aquilo assim e assado, num gasto entretenimento daqueles tais, ou..

"Evitar-me? Não o farás! Precisas de mim, tal como eu de ti."

Conclusão precipitada. Sou senhor dos meus "ais" e dos meus "uis", posso inclusive apagar-te quando me der na real gana. Escrevo-te agora, de rajada, e escrevo-te mais logo, aos poucos. Ou não te escrevo. É tudo plausível.

"Sabes do que eu estou a falar. Essa obsessão crescente, a olhos vistos, que te arrasta para um inevitável sem que pressintas a corrente antes de vislumbrar a foz. Aquela lei da física, sabes, a velha história.. Velocidades constantes, o passeares-te dentro do Boeing hipersónico,.."

Escusas de continuar. Sim, ele é isso tudo. Eu, um imberbe jornaleiro aos encontrões na avenida da não-liberdade psicoemocional. O pára-sol a voar ao longo da costa, enrolando-se em si mesmo, enquanto o despreocupado dono eventualmente se afoga ao largo da Caparica.

"Pois.. Reconhece-lo portanto. Eu sou necessário."

Não da forma como o colocas. Mas sim, vais ser um post. Porque me apetece.

"Porque precisas."

Entende como quiseres. Eu farei o que eu quiser.

"Claro, claro.. Que previsibilidade. O menino quer-se agarrar à sua pretensa puberdade e enaltece-se ao estágio da decisão. Protegendo-se de uma ameaça que está em si mesmo. O míssil só explode na matéria, nas muralhas, nas paredes."

Estamos portanto em busca de pontos fracos? E que guerra é tua?

"A mesma que a tua.. A dos olhares aos quais queres atribuir almas-juízes. Cujo único desígnio é avaliar-te. Despir-te, e enumerar-te as fragilidades, os fracassos espirituais, os ossos sem cálcio. A escassez de desmembramento."

E no entanto, sou eu a sua fonte.. Elas estão alojadas em mim, e em mais lado nenhum.

"Como de resto, tudo o resto que para ti é algo. O raciocínio actua ao nível do parasita."

Estou tão surpreendido.

"Eu sei."

......

Menti. Desco agora do palco do circo. Não houve novidade no desenlace prévio. Só deixei a tinta escorrer, e fomentei-me um pouco. Por um momento estive confuso, confesso. Por falta de clareza, as betoneiras a funcionar e.... as outras, as que tremem, :\ Findas as obras, reposta a certeza de que há um Outro inexistente. Porque nada nem ninguém me lê fora do âmbito do parasita empírico, e sob o qual exerço o controlo derradeiro. Custa-me por vezes, sede de falso poder, mas sei descer do pedestal de ilusionista, feito de nuvens, e revolver em busca do Não solvente de interrogações melodramáticas e redundantes.

Sim, este blog é só lixo por varrer, substituto da expressão íntima e palpável, apóstolo da oração-cisterna. E contudo, neste bocado de aura existencial, foi. Era isso que buscava: descortinar-me com verdadeiro puxão de cortinas, rasgar um pouco, independentemente dos olhares secretos, que se ceguem todos, spit on them, puá.

"E no entanto, estarei aqui, para a posteridade."

Pois estás.

"É a tal força que te impele."

Pois é. Estou de novo súbdito do apelo exibicionista. Mas, não vamos recomeçar. Parece-me que é uma questão de parar relógios. Abrandar os ponteiros, e usar a borracha no lápis dos impulsos distorcidos.

"Talvez.."

E no entanto, vou-te manter.

"Eu sei."

Não sabes. Vou-te manter, porque de nada me serve apagar. A indiferença não conduz à prova de si. Conduz à indiferença. Há bocado, foi o que foi, esvaí-me, flui, alevianei. Pronto. Vou-te agora postar, resultado.

"Porque argumentas então?"

.....
Estou farto!
Mas que tens tu com isso, afinal de contas?

....................

sábado, abril 19, 2003


Ou talvez nada.

Próxima paragem - conformismo e sono. Ergo-me e prossigo.

A vida nunca esperou por mim, porque hei-de esperar pela vida?

Por agora, sonha-se e chega. Bed time!

sexta-feira, abril 18, 2003

É tudo um grande comboio numa paisagem de estados de alma.

Ontem, padres da liberdade e do simplesmente impingiam-me que a Salvação estava no isolamento. É capaz. Na minha condição de ateu a tempo inteiro, rejeito. Deixar que as estrelas brilhem? E quando elas nos fitam penetrantes, corrosivas, focos de distância e holofotes da insignificância, porque não reflectir o ténue? E beber do brilho, embriagarmo-nos com tudo (não só com álcool)..

O uniformismo é uma hipótese, não todas. Espiritualismo sim, mas o resto também. Impotência, pequenez, e outros romantismos fúteis, são traços do auto-retrato, fugir da condição humana seria razoável?

Sinceramente, não sei, mas também interessa-me afinal de contas, ou não sou eu um mero atrelado do que tem de ser, com sacos de farinha e aveia e coisas para empapar e fazer receitas de um livro imutável e atirá-las ao solo, aos animaizinhos cohabitantes da inutilidade suprema da cruzada do sustento físico e psicológico, do amor-próprio idiota, sentença de morte à auto-crítica e à auto-competição, do refinamento de toda a engrenagem que nos permite a evolução, o progresso, análise mais e mais profunda, sem vertigens de um abismo que tem de ser caído, metro a metro, e embater com o máximo de violência, mas sem sangue nem miolos a voar, não, só com afinação ininterrupta dos passos no solo arriscado de vicissitudes mil. Inconformado, eu? Ahah, não, ligado. Como o sol ali fora a agredir-me e ao meu cantinho escuro (heh). Mas vá, tanto faz.

Gimme a break..

E um segundo dia de férias, submerso numa estaticidade crescente. E repetida. Assassina um pouco o pretexto destas, não fora a conotação ser ela própria um alívio. O que é meio estúpido. Especialmente tendo em conta que nunca mais pus os pés nas aulas.

IRC ligado, hmm por acaso agora até não, o som, este sim, e já agora deixa cá ver se os tais.. Alexis, yep era isso, o quarteto dos três elementos. E aproveito e atiro com uma lista de nomes-jazz, semi-lacuna em quantidade para o que me apetece, e cuja procura vou pondo o kazaa a processar, e..

e...


Dei-me a uma pausa, bilha de oxigénio, major tom to ground control, i can hear you ground control, tou-t'ouvir, e pronto! Pretty much empty now, undressed and skinless, void man in a void world.

Não se encontra nada dos Alexis :(
Talvez mais pela calada..

- bocejo -

Espantoso. Como a multicolor multidão de dias converge para este mesmo início, não restringido a nenhum tempo, nenhum espaço, zero, só à transição do comando, do sub para o consciente.
E como nunca me tinha apercebido tão bem.. por mais óbvio que fosse, não mencionado, por mais natural, não insignificante.
E, tal como este parágrafo que acabei de escrever, paralelo e autónomo do texto que o precede e segue, em nada a mão no barro, apenas. Mas necessário.

Findo isto, o dia abate-se sem estrondo. A meia vontade de ser, de estar na vida, mas completamente difusa e atrapalhada, glóbulos-balões de consistência sem alfinetes, o chá matinal, ah que bem que sabe, é congruente na medida certa. Não tem o sólido, faz pensar que fura a fila para as veias e dá fluidez ao sangue-rampa do activo e reactivo.

Bom, começo de férias, uma ou outra volta à pista, tudo igual. Também, era de esperar. Uma leve brisa de monotonia e o tempero do clima pré-verão. Alguns loops mais, e dou por mim precisamente aqui, nesta linha, onde vocês (ey, tu aí!) estão a chegar agora, empurro o cursor com bocados de côdea mental semi-mastigada. Alguns backspaces. Falta pontaria para o definitivo..

Enfim, está na altura de ter 1 blog. Acho que de vez em quando me vai saber bem, chegar aqui e zás,...
e por ora está desembrulhado. Aguardem, que mais exposições de pequenos nadas-tudos-algos virão, conforme ditar a lei que me impulsiona o súbito.

e ir assim sendo os quadros de mim..